A SANGHA

Sangha é a comunidade dos monges e por extensão a dos praticantes, tendo como grande razão o apoio da prática de cada mebro por meio do espírito coletivo.

Em sânscrito, uma antiga língua indiana, o termo Saṃgha significa comunidade.

Em pāli, a palavra equivalente é Sańgha; em chinês, Sēng; em coreano, Sŭng; em japonês, Sō; e em tibetano, Gendün.



Um breve história

Na cidade de Varanasi vivia Yashas, filho de um homem preeminente. Percebendo o sofrimento da vida humano, começou a acreditar no verdadeiro Dharma e, sabendo da reputação do Buddha, saiu de casa, foi para o Parque das Gazelas e em Buddha tomou refúgio. Com Yashas seguiram seus companheiros, uns cinqüenta filhos de outros homens importantes, que se tornaram discípulos de Shakyamuni. Os pais e a mulher de Yashas também o seguiram, pondo sua fé em Buddha. Tornaram-se chefes de família que cultivavam a prática, chamados upasakas (leigos) e upasikas (leigas) em sânscrito.

Durante a primeira estadia de três meses no Parque das Gazelas, Shakyamuni Buddha aceitou cinqüenta e seis fiéis discípulos, que depois enviou para todas as direções no intuito de propagar o Dharma. Ele foi sozinho à cidade de Rajagriha, no país de Magadha, próximo do rio Nairanjana e expôs seus poderes espirituais para converter os seguidores de caminhos externos que adoravam o fogo. Naquela época, havia três mestres liderando o bramanismo ortodoxo; eram os três irmãos Uruvila Kashyapa, Nadi Kashyapa e Gaya Kashyapa. Levando seus mil discípulos eles tomaram refúgio no Buddha Shakyamuni, tornando-se seus seguidores sinceros. A seguir, Buddha conquistou os eruditos Shariputra e Maudgalyayana, famosos na comunidade bramânica por sua inteligência e sabedoria. Estes dois também levaram consigo uma centena de discípulos que se tornaram seguidores do buddhismo.

Assim sendo, ainda em sua década dos trinta anos, o Buddha Shakyamuni reuniu os mil duzentos e cinqüenta homens que abandonaram os próprios lares para se tornarem seus primeiros discípulos. Viajavam por todos os lugares, ensinando e convertendo as pessoas. Escutaram o Buddha expondo o Dharma e eram seus companheiros constantes. As escrituras buddhistas, mais tarde agrupadas, costumam mencionar "mil duzentos e cinqüenta monges", referindo-se a este grupo de valiosos discípulos, experientes e profundamente capazes.

Mais tarde, houve outro homem de grande inteligência, talento e virtude extraordinária, Mahakashyapa, que também se tornou seguidor do Buddha Shakyamuni. [...] Shariputra e os três irmãos Kashyapa eram bem mais velhos que Shakyamuni e, ao iniciarem sua peregrinação para disseminar o Dharma, muita gente que não os conhecia, achava que o relativamente jovem Shakyamuni era um dos discípulos. No contexto das escolas religiosas contemporâneas da Índia, foi realmente estarrecedor o modo como o Buddha Shakyamuni reuniu mil discípulos assim que surgiu, indo das montanhas, e exerceu influência tão poderosa. [...]

Entre os monges, havia dez grandes discípulos, cada um deles aclamado por uma habilidade especial: Shariputra, conhecimento; Maudgalyayana, poderes espirituais; Mahakashyapa, ascetismo; Anirudha, visões sobrenaturais; Subhuti, entendimento do vazio; Purna, pregação do Dharma; Katyayana, discurso dos significados; Upali, preservação dos preceitos; Rahula (filho único do Buddha), prática esotéricas; e Ananda (primo do Buddha), escutar e lembrar. Este eram os dez grandes e extraordinários discípulos, que receberam o Dharma diretamente de Buddha e atingiram a excelência.


Fonte: site DharmaNet